As alianças entre o negócio bancário e os novos players tecnológicos constituem um fator crítico para a evolução dos meios de pagamento, melhorando a competitividade do sector face aos desafios que resultam da chegada do Open Banking. Esta é uma das conclusões do IX Relatório de Tendências de Meios de Pagamentos, que acaba de presentar a Minsait Payments, empresa que agrupa todos os produtos, soluções e serviços de meios de pagamento e que tem mais de 1.000 profissionais especializados da Minsait, uma empresa da Indra, aplicando um modelo que procura crescer a agilidade comercial e conseguir uma maior flexibilidade estratégica.

Com a nova estrutura a Minsait Payments procura potenciar a inovação em novos produtos e modelos de negócio especializados, aumentar os negócios de emissão de cartões e diversificar a oferta de acquiring e potenciar uma oferta única, diferenciada e de elevado valor acrescentado, baseada em serviços de métodos digitais para pagamento, com base em dados e análises e no uso de algoritmos de machine learning

Desta forma, pretende-se aumentar a liderança dos mercados de Espanha e na América Latina, assim como aproveitar ao máximo o potencial do mercado de meios de pagamento e alcançar um crescimento anual de dois dígitos na receita para os próximos cinco anos.

Este relatório da Minsait Payments foi realizado com a colaboração de Analistas Financeiros Internacionais (AFI) e incluiu opiniões de mais de 45 executivos do sector bancário e mais de 4.000 inquéritos a clientes bancários de Portugal, Espanha, América Latina e Reino Unido. O relatório está disponível em https://mediosdepago.minsait.com/es.

Embora o open banking esteja numa fase incipiente e em patamares de desenvolvimento diferentes nos países analisados - no que se refere à legislação, adoção de standards e iniciativas - cerca de 64% dos executivos entrevistados nos dez países estão conscientes que a concorrência nos próximos anos virá sobretudo das Big Tech, Fintech e Neobancos. Perante este cenário, a maioria dos executivos considera que a regulação da concorrência digital e a criação de ecossistemas colaborativos, que integrem esses protagonistas para desenvolver novos modelos de negócio, será a abordagem predominante na indústria bancária.

Portugueses preferem meios de pagamento seguros no comércio eletrónico

No que se refere ao comércio eletrónico, Portugal apresenta uma baixa proporção de compradores frequentes: apenas 39,1% dos inquiridos faz compras pela Internet pelo menos uma vez por mês, sendo o computador pessoal o dispositivo preferido para aceder a este canal de compra. Embora os cartões físicos sejam o principal meio de pagamento nas transações online, o cartão virtual já é utilizado por 34,1%, o nível mais alto de todos os países incluídos no inquérito. O pagamento através de criptomoedas é utilizado por 0,3% dos inquiridos.

A disponibilidade de diferentes meios de pagamento é um aspeto que aumenta a sensação de segurança no momento de realizar uma compra num portal web não utilizado anteriormente. Em particular 30,2% dos inquiridos declara que uma página que aceite diferentes formas de pagamento lhes transmite segurança.

Portugal também se destaca por ser o país que menos usa numerário (moedas e notas) para pagar despesas mensais. Um em cada quatro inquiridos portugueses não utilizaram esta forma de pagamento no mês anterior ao inquérito. Em contraste, o pagamento das despesas mensais a partir da conta bancária evidencia uma penetração de 69,8% convertendo-se no meio de pagamento principal para quase um quarto (24,1%) dos inquiridos. Apesar disso, os cartões bancários continuam a ser o principal meio de pagamento em 2019, preferido por 47,7% dos inquiridos.

Atualmente, um em cada quatro portugueses inquiridos tem pelo menos um cartão deste tipo. A quase totalidade dos portugueses inquiridos (97%) tem pelo menos um cartão de débito, uma subida de 2.2 p.p., e 61,3% tem no mínimo um cartão de crédito, o que representa uma descida de 2.3 p.p. face ao ano anterior.

Finalmente, face a uma eventual irrupção dos gigantes tecnológicos no sector bancário, Portugal é o segundo país com menor predisposição dos inquiridos para ceder os seus dados financeiros a este tipo de empresas, só 10,7% manifesta interesse em facilitar os seus dados bancários às denominadas Bigtech, mesmo que essa situação de proporcione algum tipo de benefício. Em sentido contrário, mais de 20% dos inquiridos tem interesse em partilhar informação pessoal, que consta das suas redes sociais, com os bancos tradicionais.

Clientes cada vez menos fiéis

De acordo com o relatório, a multibancarização é uma tendência que está a crescer a um ritmo acelerado, demonstrando que as necessidades financeiras atuais dos consumidores não estão a ser cobertas por uma só entidade. Este fenómeno poderá intensificar-se nos próximos anos, caso as abordagens atuais se mantenham.

No top 5 dos principais desafios do sector estão temas como a transformação digital, a concorrência Bigtech, o cumprimento da legislação ou a fraude e a segurança. Na mesma linha, o relatório adverte que esta circunstância pode ser aproveitada pelos novos players originados pelas oportunidades do Open Banking. 

Segundo os dados recolhidos no estudo, a população bancarizada que opera com mais de uma entidade financeira está em maioria nos países estudados. Portugal não foge a esta regra. Em 2019, a proporção de clientes bancários portugueses com contas em duas ou mais entidades financeiras superou os 50% (51,6%), o que representa 7.9 p.p. face a 2018 (43,7%).

Além disso, em todos os países analisados verifica-se que, durante o último ano, registou-se uma diminuição significativa na duração da relação entre o utilizador e o banco principal. Portugal, com 13,1 anos, é o segundo país com a antiguidade média mais elevada (só superado pelo Reino Unido com 18,2 anos), embora tenha sofrido uma queda significativa de 2,3 anos, o que evidencia um importante dinamismo no sector bancário português.

Em matéria de inovação na autenticação dos pagamentos, a impressão digital leva vantagem sobre as restantes. Quase sete em cada dez portugueses inquiridos (68,8%) prefere este meio de autenticação, entendido como sendo mais seguro, moderno, fácil e rápido que o atual PIN.

Embora ainda não seja o meio preferido de pagamento dos portugueses (escolhido por apenas 1,8%), o pagamento através do telemóvel foi utilizado por 18,2% dos inquiridos, a que se juntam 17,2% de utilizadores que usam apps de pagamento entre particulares (por ex. o MBWay). 

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